Escapadinha perfeita em Cañamero nos passos de Isabel a Católica a Guadalupe 

A rota de Isabel a Católica é uma rota clássica dos percursos, no caminho para Guadalupe, que tornou Cañamero popular. A aldeia é uma porta de entrada para o Geoparque Mundial da UNESCO Villuercas-Ibores-Jara, como diz na fachada do centro de receção de visitantes do geoparque de Cáceres, que ostenta murais coloridos dos artistas Sojo e Brea, que são um verdadeiro chamariz.

Esta é a primeira visita a Cañamero para descobrir o número de recursos que farão da sua escapadinha uma escapadinha perfeita, com as suas rotas, paisagens, história, povo, aves, gastronomia e os seus famosos vinhos. Para além das joias do próprio geoparque, que a Laura descreve com paixão e muita didática e que vão animar o visitante a estender ainda mais o percurso através dos domínios do mais importante relevo apalachiano na Europa.

.Joias do centro de visitantes onde o objeto mais recente tem dois milhões de anos

No centro de visitantes, só o facto de as descobertas mais recentes terem dois milhões de anos é promissor. A joia da coroa é o fóssil de um dos primeiros animais existentes com um esqueleto, Cloudina carinata, que viveu há cerca de 550 milhões de anos e que só foi encontrado em países como a Namíbia e a China.

Há muitas mais curiosidades dignas do turista geológico mais inquieto, atraído por um dos quinze Geoparques Mundiais da UNESCO em Espanha. Como as cruzianas, as pegadas das trilobites no fundo do mar, que partilham vitrina com as de Penha Garcia na Raia com Portugal, que atestam que há quase 600 milhões de anos o geoparque era ocupado pelo mar.

Cueva de la Chiquita em Cañamero, a caverna mais acessível e com mais pinturas no geoparque.

Cueva de la Chiquita, o santuário pré-histórico de Cañamero

Prova disso é a gruta Cueva de la Chiquita ou de Álvarez, possivelmente o abrigo rupestre mais acessível da Estremadura com mais de uma centena de pinturas rupestres de arte esquemática. A que parece ter a forma de uma cobra dá-lhe o seu nome, envolta na lenda que diz que acabou por comer o pastor, Álvarez, que tinha cuidado dela quando era “chiquita”, quando cresceu e se transformou num enorme dragão. Localizar as figuras humanas, os raios do sol, os animais e outros sinais é um grande entretenimento, mas também existem empresas de turismo ativo que oferecem visitas guiadas para aprender a interpretar este santuário pré-histórico. De facto, todo o geoparque oferece serviços turísticos e tem mesmo uma associação empresarial muito dinâmica, Geovilluercas.

O idílico Charco de la Nutria

Cueva Chiquita fica a cerca de dois quilómetros da aldeia, nas margens do rio Ruecas, assim como o Charco de la Nutria, a piscina natural e o moinho, que formam uma zona balnear lindíssima, com parques de merendas numa ponta e um bar de praia de verão na outra, onde, como é óbvio, só são servidas bebidas. A lagoa é tão idílica que mesmo as noivas da aldeia tiram as fotos de casamento na água. Podemos chegar facilmente de carro pela antiga estrada de Berzocana, apesar de termos de andar a pé nos últimos metros.

25º aniversário da Rota de Isabel, a Católica a Guadalupe

Aqui há uma pequena ponte de madeira sobre a qual passa a rota de Isabel a Católica, que começa em Cañamero e segue o caminho percorrido pela rainha em 1477 quando viajou para Guadalupe. O seu mosteiro é Património Mundial, o segundo lugar de peregrinação em Espanha, após Santiago de Compostela, para esta rota precisamos de aproximadamente três horas, depois de percorrer 14 quilómetros. A emblemática rota celebrou o seu 25º aniversário este ano.

Pico de la Villuerca da barragem de Cancho del Fresno

De Cueva Chiquita, podem ser vistos pequeninos os caminhantes, a atravessarem o Desfiladero del Ruecas, um dos geossítios do geoparque, que é um desfiladeiro natural causado pelo rio, para chegar à barragem de Cancho del Fresno a montante. Daqui pode ser visto, ao longe, à esquerda, o Pico de la Villuerca, um dos melhores miradouros do Geoparque, juntamente com Cabañas del Castillo. Um lugar que oferece vistas tão relaxantes do relevo apalachiano que o slogan #livinglavidarelax do Turismo da Deputação de Cáceres, que nos últimos anos facilitou a subida com corrimões e degraus, bem como a melhoria da estrada para o Pico de Villuercas, faz todo o sentido.

A rota de Isabel a Católica também o leva por alguns dos mais belos lugares da Serra de Villuercas a caminho de Guadalupe, como a rainha Isabel o chamava “o meu paraíso”, com alguns troços onde as encostas e rochas dificultam a caminhada, mas com tesouros como o Castaño Abuelo (Castanheiro Avô), que já foi mencionado em crónicas de séculos atrás. No outono é especialmente bonito com a sua paleta de cores, e no verão é melhor ficar e aproveitar a nova praia fluvial que foi criada numa das barragens mais repletas de vegetação da Estremadura.

Uma visita ao Centro de Interpretação de Aves (ZEPA) da Serra de Villuercas e do Vale de Guadarranque é uma visita imprescindível. É uma viagem para os sentidos com reproduções em tamanho real e painéis interativos com um guia, Jairo, que se move como um peixe na água.

Mesa de las Brujas e a sua rota noturna mágica

Las Senderistas são um grupo local de mulheres que recomenda vivamente que não percam a rota para Mesa de las Brujas, também chamada Dolmen del Mirador porque tem vistas amplas para o desfiladeiro do Ruecas e para os restos de um castelo com abutres grifos a voar sobre a paisagem. O cenário é perfeito e é um passeio de cerca de quatro quilómetros ao longo de um percurso fácil que a câmara municipal está prestes a sinalizar.

Há já alguns anos, em cada lua cheia no verão, realiza-se uma rota noturna para comemorar os rituais mágicos que as bruxas teriam ali realizado em segredo na Idade Média. Sobre a mesa colocavam abóboras que, de acordo com a tradição, adquiriam poderes quando recebiam luz a meio da noite. A noite termina agora com um mergulho no Charco de la Nutria e com as abóboras que todos transportam, abençoadas com energia positiva. Em Cañamero acredita-se que trazem sorte e tornaram-se uma peça de artesanato altamente apreciada.

Os vinhos de Cañamero

Como os famosos vinhos de Cañamero, incluídos na Denominação de Origem Ribera del Guadiana. Ali, e em metade do mundo para onde são exportados, pode brindar aos viticultores de Cañamero, cujas vinhas em encostas escarpadas partilhadas com oliveiras são um espetáculo a contemplar. Perder-se nos seus caminhos é uma bela experiência, assim como o enoturismo oferecido por duas das adegas, Ruiz Torres e Cañalva.

À uva branca local, chamada alarije, junta-se o mel e, cada vez mais, o azeite como produtos estrela da região.

Algo así, entre os dez melhores restaurantes da Espanha rural

Não há escapadinha perfeita sem um plano gastronómico e, além dos restaurantes clássicos de Cañamero, há um que The Guardian incluiu entre os dez melhores da Espanha rural e que ostenta um Solete do Guia Repsol. É o Algo Así, na periferia da aldeia e é gerido por um casal suíço que não oferece nem uma ementa, nem menus definidos. Os comensais devem deixar-se surpreender pelos seus deliciosos pratos sazonais.

Cañamero, a aldeia onde São Vicente Ferrer pregou

Uma vez alimentado o corpo, pode-se alimentar a alma com um passeio pela aldeia onde São Vicente Ferrer pregou. No centro de Cañamero, a igreja de Santo Domingo de Guzmán, o santo padroeiro que fundou a ordem de pregadores a que São Vicente pertencia, destaca-se pela sua curiosa torre octogonal.

Para descansar uma escapadinha perfeita a Cañamero, existe uma oferta hoteleira completa entre pousada, hotel, apartamentos e casas rurais que o turista geológico conhece bem, atraído pelo geoparque de Cáceres que tem como mascote uma cabra, Geopaca, com a qual tiramos uma foto de recordação no photocall do centro de visitantes de Cañamero.

Escapada redonda a Cañamero tras los pasos de Isabel la Católica a Guadalupe

Publicado em setembro de 2022

© Planveando Comunicaciones SL

Tradução Ângelo Merayo

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