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Villar del Pedroso, a vila do carnaval sem uma única fantasia que honra as almas

Villar del Pedroso é a vila de Cáceres conhecida por um carnaval que, sem fantasias, carros alegóricos ou grupos de folia, se tornou uma Festa de Interesse Turístico na Estremadura, com desfiles que são verdadeiras procissões em homenagem às almas do purgatório.

Não há outro igual ao Carnaval de Ánimas, que não deixa ninguém indiferente.  Villar del Pedroso merece uma escapadinha. É a vila do Geoparque Mundial da UNESCO Villuercas-Ibores-Jara, por onde passam os peregrinos do Caminho Real de Guadalupe, que leva ao mosteiro desde Madrid. Também se orgulha de ter murais de arte urbana que estão entre os melhores do mundo.

O Carnaval de Ánimas/ Diego Cajas

Carnaval de Ánimas, único na Estremadura

No carnaval, é preciso ir a Villar del Pedroso, se quiser desfrutar de um dos mais genuínos da Estremadura. Contudo, para imbuir-se do espírito do Carnaval de Ánimas pode visitar durante todo o ano o centro de interpretação da rede de centros REDCI da Deputação de Cáceres, que tem entrada atrás da Casa del Labrador, na rua Real, doada à vila por Bernardo Gómez Ayuso.

Lá poderá ver vídeos e fotos muito úteis para conhecer a quantidade de rituais que este carnaval tem e uma amostra das suas roupas coloridas e outros símbolos da festa. Também é possível comprar lembranças muito variadas, desde os típicos ímanes, canecas ou lápis até aventais, forros polares e até tampões para os ouvidos para combater as salvas de tiros que, juntamente com o tamboril, são a banda sonora desses dias.

Isso dá uma ideia da devoção pelo carnaval que os vizinhos transmitem, que durante sete dias se transformam em soldados para comemorar a promessa que um general, seu conterrâneo, fez no século XVII, quando se encomendou às almas benditas para vencer uma batalha.

Por tradição oral, continuam a vestir-se de soldados e oficiais, sem distinção de idade ou género. Há o general e a general, o tenente e a tenente, bastonário e bastonária, o alferes e a alferes e os sargentos e as sargentas. Os visitantes também podem fazer o mesmo, desde que tenham os vistosos trajes típicos desta festa, que mudam de cor. Vermelho no primeiro domingo, verde e castanho na segunda-feira, roxo na terça-feira de carnaval pela manhã em sinal de luto e novamente vermelho à tarde, cinzento na quarta-feira de cinzas e no último domingo volta ao vermelho.

No centro de interpretação/ J, Raúl González

O lugar que cada um ocupa nos desfiles tem o seu significado num carnaval que bem poderia vir com um livro de instruções. O mistério da sua origem, segundo contam os vizinhos, reafirma-se no facto de que o dia seguinte à guarda do Ramo de Ánimas amanhece sempre nublado e eles mesmos falam dos seus próprios falecidos como almas.

o Ramo de Ánimas no centro de interpretação / Andy Solé

O mistério da vida funde-se com o religioso, que é celebrado na igreja de São Pedro, mais conhecida como a Catedral de La Jara devido às grandes proporções do templo, que sempre foi uma visita obrigatória para os peregrinos. Para lá se dirigem as procissões e para lá se leva, na terça-feira de Carnestolendas, em andas, o Ramo de Ánimas, cujos pães e anis são depois vendidos. Mas funde-se também com a sua origem militar nas próprias personagens do carnaval, a luta com alabardas ou a dança da bandeira, e com o festivo ao ritmo de coplillas e danças como o Serengue, entre doces tradicionais.

A Catedral de La Jara/ Andy Solé

Villar del Pedroso, um verdadeiro museu de arte urbana

O mural sobre as roupas de carnaval de Sojo / Andy Solé

O Carnaval de Ánimas é um sinal de identidade de Villar del Pedroso, também nos seus murais de arte urbana. Quando entramos na vila, aparece um de Jonatan Carranza «Sojo» que indica a entrada à vila do carnaval mais peculiar da Estremadura. Outro mural sobre as roupas de carnaval, localizado na Avenida da Constituição, também é da sua autoria.

O mural de Marta Lapeña / Andy Solé

Uma homenagem às antigas lavadeiras na rua Prosperidad e ao desfiladeiro de Pedroso, junto à escola, são os outros dois murais de Sojo, comissário do Muro Crítico da Deputação de Cáceres, que veio completar o percurso pelos murais com outras três obras. Uma exibição de metapintura de Ione Domínguez no parque da escola La Jara, uma natureza morta em tons pastel de Marta Lapeña na rua Eras Grandes e, a poucos metros dela, a coruja de Jesús M. Brea, eleito o melhor mural do mundo em maio de 2022 pela Street Art Cities. Um verdadeiro estímulo, por ser a plataforma internacional mais influente entre os seguidores do muralismo, que promove as visitas dos murais.

Villar del Pedroso, foco de peregrinos e “biciguinos”

Se a arte urbana é um ponto de peregrinação, o que dizer do Caminho Real de Guadalupe, que nasce no mosteiro dos Jerónimos de Madrid e pelo qual Isabel, a Católica, entre outros ilustres peregrinos, viajou até sete vezes a caminho do mosteiro.

Recuperado para o lazer, muitos caminhantes e ciclistas preferem Móstoles como ponto de partida para evitarem o trânsito urbano.

Villar del Pedroso oferece hospedagem e alimentação no albergue, além de uma casa rural e apartamentos turísticos, para recuperar as forças antes dos 63 quilómetros que separam a cidade de Guadalupe. Esta etapa começa em Puente del Arzobispo, metade da aldeia de Toledo que leva o seu nome e metade de Villar, que é também o cruzamento do Caminho Natural do Tejo e da Ciclovia do Tejo, cujos utilizadores são apelidados na aldeia de “biciguinos”. Há placas indicando que é possível chegar, por etapas, até Higuera de Albalat, no território do geoparque, e kits de reparação de bicicletas na vila.

O impressionante Desfiladero del Pedroso

A partir de Puente del Arzobispo, seguindo o caminho mais próximo do Tejo, chega-se ao desfiladeiro de Pedroso, a cerca de dois quilómetros. É um local tão impressionante quando tem água e ressoa ao cair nas profundezas do barranco, como quando não tem água e permite apreciar o encaixe do riacho entre enormes rochas graníticas. É o geossítio 42 do Geoparque Villuercas-Ibores-Jara, território da UNESCO que oferece uma viagem pela história da terra. Em Villar del Pedroso, pode-se dizer, sem ironia, que os seus seixos ou brenhas são do Pleistoceno.

O berrão e o “touro mocho”, vetões de Villar del Pedroso

Outro motivo para tirar uma foto em Villar del Pedroso são as suas esculturas zoomórficas de origem vetã. O berrão da rua Eras Chicas e o “touro mocho” que se esconde num pequeno parque situado em frente às esculturas de ferro do sargento e da sargenta, à entrada da vila, entre os marcos do Caminho Real para Guadalupe e com o mural do Carnaval de Ánimas ao fundo. Um verdadeiro photocall de Villar del Pedroso.

Villar del Pedroso, el pueblo del carnaval sin un solo disfraz que honra a las ánimas

Publicado em dezembro 2025

Autor Merche R. Rey

Tradução Ângelo Merayo

Fotos: Andy Solé/ Diego Cajas

© Planveando Comunicaciones SL

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